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“Mais do que crescer, estamos a consolidar um projeto que atrai quem valoriza uma abordagem mais sustentável”

17 de abril, 2026

in, VIDA ECONÓMICA, Imobiliário, 17 de abril de 2026

A rede de mediação portuguesa 
acelera a expansão nacional e reforça a presença com novas agências no arranque de 2026, passando assim de 2 para 4.

Qual é o objetivo da Rodolfo Natário - Casas São Paixões em termos de ampliação da rede?

-Mais do que crescer em número, queremos crescer com consistência. Não seguimos um modelo tradicional de franchising massificado. O que tem acontecido é que as pessoas se têm vindo a aproximar da marca de forma orgânica, precisamente porque e reveem nesta forma de estar na mediação imobiliária – mais próxima do cliente, mais rigorosa no processo e com uma visão clara e longo prazo. Mais do que procurar crescer, estamos a consolidar um projeto que atrai quem valoriza uma abordagem mais sustentável e criadora de valor nesta atividade. O objetivo passa por construir uma estrutura com identidade forte, onde cada parceiro representa verdadeiramente a marca, e não apenas o seu nome. Porque, no nosso setor, crescer sem cultura é o caminho mais rápido para perder valor.

Tem prevista a expansão para outras zonas do país?

-Sim, faz parte do nosso plano. Mas essa expansão está a ser feita com critério. Não seguimos uma lógica de cobertura geográfica

total, seguimos uma lógica de relevância. Estamos atentos a zonas com dinâmica de mercado, mas também onde possamos acrescentar valor real, sobretudo num contexto em que a procura continua ativa, mas

cada vez mais exigente.


Quais são os critérios de diferenciação?

-Em primeiro lugar, somos uma marca 100% portuguesa. A nossa diferenciação não está numa promessa, está na forma como trabalhamos todos os dias a essência da mediação  imobiliária. Hoje, o mercado exige muito mais. Só em 2025, os preços das casas subiram cerca de 17,6%, com maior pressão nas habitações existentes. Isso cria um contexto

 em que o erro custa caro ao cliente. É aqui que nos diferenciamos: soluções tailor-made, adaptadas às necessidades de cada cliente; transparência total no processo; acompanhamento próximo e contínuo; melhores ferramentas e tecnologia ao serviço do cliente; leitura realista do mercado, em alimentar expectativas irreais. Num mercado mais exigente, a confiança deixou  de ser um argumento, passou a ser uma necessidade.

Qual é a sua opinião sobre o atual momento do mercado?

-Estamos num momento de viragem para maior maturidade. Os números mostram um mercado ainda dinâmico, mas com sinais claros de abrandamento. Em 2025, apesar da subida dos preços, houve quebra nas transações no último trimestre e desaceleração no ritmo de crescimento, tendo em conta que o poder de compra das famílias portuguesas não está ajustado ao elevado valor da oferta existente. Ou seja, o mercado continua ativo, mas claramente mais exigente e mais seletivo.


As medidas para resolver a falta de 
oferta são suficientes?

Há evolução, mas ainda estamos longe do necessário. Tem havido medidas positivas, como os incentivos à construção, apoio a jovens e simplificação de processos, mas o problema é estrutural. Mesmo com algum aumento de licenciamentos, por exemplo cerca de +3,3% em 2025, o ritmo continua insuficiente para responder à procura. Além disso, os custos de construção continuam a subir e isso limita a criação de oferta a preços acessíveis. O foco não deve ser controlar preços. Deve ser aumentar a oferta de forma consistente e sustentável. Sem isso, o desequilíbrio vai manter-se.